14ª Edição – Expectativas para 2019

Em evento, realizado pelo PVG Advogados, economista Samuel Pessoa destaca questões de aumento de produtividade, e reformas fiscal, tributária e previdenciária como desafios para o próximo governo.

No último dia 22 de novembro, o PVG – Perlman Vidigal Godoy Advogados realizou encontro para debater as perspectivas e desafios brasileiros em 2019. Mediado por Marcelo Perlman, sócio do PVG Advogados, o evento contou com a participação de Samuel Pessoa, sócio da consultoria Reliance, doutor em economia pela Universidade de São Paulo e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV/RJ, que trouxe seu ponto de vista em relação aos rumos que o próximo governo deve tomar para o país retomar o crescimento, e aspectos da economia externa que podem impactar o Brasil.

De acordo com o economista, o próximo governo tem um grande desafio e deve focar na agenda de produtividade, contando para tanto com uma reforma tributária que possa unificar uma série de impostos. “Acredito que a agenda de produtividade é fundamental para retomarmos o crescimento econômico. Além da reforma tributária, que a meu ver é o ponto mais importante desta agenda, temos também questões como abertura econômica, reforma do Estado e alterações no Direito Administrativo. Sem contar com a necessidade de reformular a Zona Franca de Manaus”, destacou Samuel Pessoa.

Outro ponto relevante para alavancar a economia, segundo o economista, diz respeito à reforma da Previdência. “Temos um sobregasto em relação a previdência, chegando a 14% do PIB brasileiro, o que prejudica a economia e por isso é extremamente importante aprovar a reforma o quanto antes”.

Em relação à economia externa, Samuel Pessoa comentou que possível aumento de juros e desaceleração da economia mundial podem representar riscos ao desenvolvimento do Brasil. O economista destaca alguns aspectos nos Estados Unidos, Europa e Ásia que merecem atenção. “Um ponto de alerta é em relação a inflação norte-americana e a probabilidade do Fed atuar de forma equivocada na taxa de juros. Na Europa temos a Itália, que conta com uma dívida do Estado elevada, e por último a China, que no meu ponto de vista assusta menos, mas tem crescido em serviços, com maior foco na economia interna”, explicou Samuel Pessoa.

O principal receio de Samuel Pessoa em relação ao próximo governo é justamente em relação às medidas econômicas (já citadas acima). “É fundamental o governo traçar e seguir o caminho das reformas, claro que há um custo político, mas a economia cresce. O meu medo é que o governo não entenda e inverta a pauta, voltando suas ações apenas para questões como segurança, combate à corrupção e direito de propriedade”, finalizou o economista.